Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Presente contexto


Se é sem regresso, prefiro que vá

Ter-te por narcisismo é muito previsível.

Se é fato o retorno, eu contorno

Prefiro o seu abraço aos poucos a nenhum.

Eu fico com a voz ao telefone,

Com as linhas escritas na contra-mao do dia quente,

Com o riso que ressoa como uma alfaia dentro de mim.

Eu me sinto traída por essas circunstancias repetentes,

Partir e mudar, mas nunca deixar o legado

O gosto salgado já vem breve.

Se soubesses quantos gestos repasso

desde que entrastes no meu quintal.

Não desejo que vá, mas se é relevante, retorne sempre

Prefiro o seu abraço aos poucos para que meu coração de amiga

Beba do gosto adocicado da nossa crença,

A fé de que ainda houve um tempo em que se podia dar as mãos sem medo.

Eu te amo, minha amiga.


- Escrito após um dia daqueles que comem um pedacinho do nosso coracao, a uma amiga muito especial: Marina Cano -

Terça-feira, Agosto 11, 2009

A rebelião



Hoje é rebelião dentro de mim
Os vermes e as bactérias que me são parte
Devem se considerar vencidos da luta contra a fome
A inabalável enzima se desfez,
E há um certo calafrio que sobe dos pés.

Hoje é rebelião dentro de mim
O erro ainda obsceno faz das vísceras um nó
Das guias, um só e velho papel
Mapa sem rumo, sem árvore riscada, sem nada.

Hoje é rebelião dentro de mim
Sinto que me recolho em pedaços
Como um jogo de quebra-cabeça sendo guardado
Parte a parte, fragmentado

Meu desejo,
Minha culpa,
De ter sido o que eu quis.


*Denise*

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

Sentimento sem nome


E por mais que as coisas andem
E por mais que o tempo passe esses dias
Parece sempre faltar muito

Porque não tenho motivos
Nem feridas que me façam chorar
Mas tenho uma saudade que dói

O meu coração parece estar enclausurado
Impaciência descabida
e os quilômetros que diluem esse perfume
seu rosto e corpo, até sua voz, são frutos da minha cabeça
e as vezes a sinto fraca, não quero perder-me

Cada dia me abrigou com um medo diferente
Cada mundo me desenhou com cores diferentes,
e sempre me vi em preto-e-branco.

Você chegou
E agora que eu me vejo em aquarela,
Não é o mundo que me pinta,
sou eu.

*Denise*

Terça-feira, Novembro 25, 2008

É o que me interessa


"Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o teu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa"
*Lenine* - Pq fala por mim.

Domingo, Outubro 26, 2008

A queda


De muito, pouco sei.
Quando serão os dias de chuva?
Quais serão suas vantagens?
A chuva nos faz pensar.

E uma garota, desconstruída,
Do alto avista a multidão sedenta
Ansiando pelo pulo.

Quem era ela?
O que seria melhor ou pior?

Pouco importa...

Quem morreria naquele passo?
Quem julgaria?
Quem esperava atento?
Intimidação causada pelo olhar alheio.
A banalização da vida ou da morte?

Chovia uma chuva fina
Um triz
Um fio de vida e alguns muitos andares
Dividiam e projetavam nossas angústias
O que era dela?
O que era meu?

E a pergunta que não me cala:
Quem morreria naquele passo?


*Denise*

Quarta-feira, Setembro 24, 2008

Incosciência


A cabeça não pára, não há momento em que não haja questionamento.
As nossas vidas andam assim: com as pernas da dúvida e do novo.
A cada dia coisas novas, tantas explicações para todos os processos, as integrações, os significantes, os estímulos, a cognição, o seio mau e até o objeto persecutório!
Mas onde estou eu em cada isso??
Devo confessar à minha persona que a minha função egóica está à sombra do meu animus!
O que será do meu self?
Acho que estou confundindo um pouco as coisas...

:-)

Psicologia demais dá nisso!


*Denise*

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Fragmentação


Nasce aos poucos
uma flor nas pedras
uma cor nos azulejos
uma dor nos arredores, do peito

Muda a vida
cresce a frase
desenlace discreto de fio e grão
sem nenhuma inibição, se vai

Tem nos braços o poder
de montar cada peça logicamente
disfórica, serena, expressão efêmera

E termina com o feito
de saber o que é desfeito
pela ordem do conceito
sem ao menos disfarçar.

Poesia escrita em 25/08/2008
*Denise*